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	<title>Instituto Mãe Pessoa</title>
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	<description>Instituto Mãe Pessoa</description>
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		<title>“O POSSÍVEL &amp; O IMPOSSÍVEL PERANTE A INTOLERÂNCIA”</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 20:59:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Sheila Skitnevsky Finger Texto publicado no Curso Virtual III &#8211; &#8220;Educação para a Tolerância&#8221;. Centro de Estudos em Psicanálise e Intolerância &#8211; CEPI, do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância &#8211; LEI, da Universidade de São Paulo &#8211; USP. RESUMO: o presente texto argumenta que bases educacionais individuais e coletivas que visem a uma maior [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sheila Skitnevsky Finger</p>
<p>Texto publicado no Curso Virtual III &#8211; &#8220;Educação para a Tolerância&#8221;. Centro de Estudos em Psicanálise e Intolerância &#8211; CEPI, do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância &#8211; LEI, da Universidade de São Paulo &#8211; USP.</p>
<p>RESUMO: o presente texto argumenta que bases educacionais individuais e coletivas que visem a uma maior tolerância entre pessoas e entre grupos humanos necessariamente precisam partir do reconhecimento do mal-estar da cultura humana, e por extensão, do reconhecimento dos limites do que é ou não possível “sanar” em relação aos fenômenos de intolerância.</p>
<ol></ol>
<p><strong>I. </strong><strong><span style="text-decoration: underline;">Introdução </span></strong></p>
<p>A intolerância é um fenômeno humano e social, sintoma (no sentido de <em>sinal</em>, <em>resultado</em>) do conflito humano entre querer ser uno separado e querer pertencer, entre buscar a independência e buscar a aceitação pelos demais. A constituição do sujeito, a construção do EU, passa inegavelmente pela relação com o outro – a partir do primeiro vínculo significativo, a mãe. Ser todo e ter tudo, versus ser separado como um EU diferenciado, estas são as origens dos conflitos que nos fazem ser o que somos,<br />
mas também nos fazem sofrer para sempre. Preço e prêmio de nossa condição humana, vivemos no limite entre o impossível – de se libertar do outro, da dependência desta inter-relação – e o possível – todo o resto, quase uma infinidade de possibilidades.</p>
<p>Impossível nos desfazer de nossa condição humana; mas possível fazer “mil e uma coisas” a partir dela. Para se pensar uma<br />
“Educação para a Tolerância”, uma formação cultural que privilegie a tolerância ao invés da intolerância, é necessário reconhecer os limites do possível e do impossível, e de formas de fomentar, dentro das possibilidades, a maior<br />
convivência – e <em>com-vivência</em>.</p>
<p>Para traçar esse argumento, este texto aborda os seguintes temas: o que a psicanálise nos ensina sobre nós mesmos; o que a<br />
psicanálise nos ensina sobre a cultura humana; e o que estas contribuições psicanalíticas podem nos apontar em relação ao fenômeno da intolerância, e por extensão, às bases educacionais individuais e coletivas que visem a uma maior tolerância entre pessoas assim como entre grupos humanos.</p>
<p><strong>II. </strong><strong><span style="text-decoration: underline;">O que a Psicanálise nos ensina sobre nós mesmos: </span></strong></p>
<p>A psicanálise nos fez deparar com nossa divisão perene: somos seres divididos, cindidos entre o que queremos e o que buscamos; entre nobres motivações conscientes, e primitivas pulsões inconscientes e inconsequentes. Somos seres egoístas,<br />
individualistas e egocentrados, mas também seres sociais, gentis, e com um forte espírito de cuidado ao outro, de comunidade e de comunhão. Se desta divisão advém nossas frustrações, nosso sofrimento e nossa confusão, advém também nossa criatividade, nossa capacidade de ser e fazer <em>apesar</em> de nossas limitações, e de nos superar e re-inventar. Esta divisão subjetiva nos rege em todas as nossas relações, em nossas construções psíquicas, e em nossas visões de mundo e de nós mesmos.<br />
Além disso, somos seres sociais por excelência. Como nos fez notar Freud, somos os únicos seres vivos que após o nascimento, seguem por tanto tempo dependentes de um outro para sobreviver; não apenas nos primeiros anos de vida, mas somos<br />
eternamente dependentes da relação com outros, da linguagem consequente da socialização, e da cultura resultante de nosso processo de humanização. Portanto, a outra marca de nossa existência, essência de nossa natureza humana, se encontra na premissa de alteridade.</p>
<p>Jacques Lacan, psicanalista francês e “re-leitor” de Freud, sempre fez questão de marcar o interesse e a consideração pelo outro,<br />
como nos faz notar Antonio Quinet, no texto “A Heteridade de Lacan”<a href="#_ftn1">[1]</a>:</p>
<p>“Lacan desfaz a ilusão de completude, a pretensão de síntese e a miragem da unidade do EU, mostrando que eu é, antes de mais nada outro. E aquele que vejo na minha frente que penso ser outro é igual a mim. …Esse próximo que se me assemelha, e a quem me ensinaram dever amar, é antes um intruso.  Por ser igual é rival.  …  Esse outro é experimentado e percebido como um intruso que invade e rivaliza com o eu pelo mesmo lugar. No entanto é o eu que vem primeiramente usurpar o lugar do<br />
sujeito. Esse intruso, o eu, o sujeito o percebe como <em>outro</em>.” E ainda: “Esse outro que é meu semelhante é minha alteridade egóica, projeção narcísica de meu eu, espelho que me envia minha própria imagem a ponto de considerá-lo semelhante. Este outro se é alter, é alter-ego, nada mais do que meu ego alter-ado. Ele é o caramujo que encerra no âmago de sua carapaça imaginária o objeto que causa tanto meu ódio quanto meu maravilhamento.” (p. 1-2)</p>
<p>O outro sou eu, como aponta Lacan; o outro odiado, repudiado, rejeitado, apenas representa meu mal-estar consequente da minha divisão e da marca da alteridade e da <em>heteridade </em>(de heteros, outro) em mim.</p>
<p>A condição humana nos oferece um <em>prêmio</em> e um <em>preço</em>: o prêmio que recebemos por nossa humanidade representa todo o possível, a saber, o acesso a um amplo espectro cultural e as possibilidades de sublimação e interação que este espectro apresenta: linguagem, outras línguas, artes, conhecimento novo e acumulado, senso estético, criatividade, prazer,<br />
satisfação, desejo, busca por novos horizontes… Podemos pensar quem somos, onde nos encontramos; podemos ter noção do mundo em que vivemos, imaginar o que vai além do que nossos sentidos possam perceber. Temos acesso a esta ampla gama<br />
cultural, que alimenta nossa sede de troca e de inserção social.</p>
<p>Todavia, pagamos um alto <em>preço</em> pela nossa humanidade: o acesso à cultura é limitado, nossa inserção é fadada a incompletude, nossa frustração e insatisfação é sempre presente: ao pensar, não conseguimos entender completamente; ao sentir, não<br />
conseguimos compreender nossos sentimentos; ao fazer, muitas vezes não nos reconhecemos em nossos atos, princípios ou motivações. Nos enganamos; nos confundimos; estamos sempre traindo nossos próprios princípios, sentimentos, pensamentos… Esta condição de falta, de incompletude, esta é a condição “impossível de curar” – como sabem bem os psicanalistas.</p>
<p>A partir disso, e mesmo apesar do acesso a essa gama cultural que nós mesmos contribuímos para moldar e desenvolver, estamos sempre nos sentindo alheios, diferentes, aquém ou além; estrangeiros perante à cultura que nos cerca, mal-compreendidos e não inseridos. Almejamos a inserção social, mas sofremos <em>para</em> pertencer, e <em>por</em> pertencer. Nossa eterna briga com a alteridade, nosso desejo de nos fazermos donos de nós mesmos, conflitua-se com a marca deixada pelo desejo de se fazer através do desejo e do olhar do outro, em quem quisemos nos espelhar. Ficamos assim ‘neuroticamente’ intrigados pela<br />
dúvida: será que se eu fosse algo mais (ou menos), conseguiria ser feliz? Se eu tivesse X ou Y, alcançaria enfim algum reconhecimento? Se eu pudesse isso ou aquilo, poderia talvez desfrutar de alguma liberdade?</p>
<p>Nesta resposta neurótica, nossa cisão e nosso mal-estar vão nos levando a criar fábulas, narrativas, invenções e adivinhações<br />
sobre como ser, como falar, como fazer, como desejar… Estas <em>fantasias</em> vão tentando dar conta de responder o que podemos ou não, o que devemos ou não, quais são os nossos limites, as nossas possibilidades, os nossos direitos e os nossos deveres.</p>
<p>Se a neurose é o preço que pagamos pelo acesso à cultura e à linguagem, as alternativas, do ponto de vista psicanalítico, não<br />
são mais fáceis ou menos dolorosas. Sem entrar em mais detalhes, importante notar que Freud define como neuróticos todos aqueles que justamente têm acesso à cultura e à linguagem, e por isso sofrem um eterno mal-estar, estando sempre<br />
em conflito psíquico: eu versus o outro; amor versus ódio; união versus separação; alienação versus inclusão&#8230; A alternativa portanto à neurose se traduz em restrição ao que nos faz humanos, origem das várias psicopatologias do campo da psicose ou da perversão<a href="#_ftn2">[2]</a>.</p>
<p><strong>III. </strong><strong><span style="text-decoration: underline;">O que a Psicanálise nos ensina sobre a cultura humana:</span></strong></p>
<p>Através da noção psicanalítica de que o ser humano é social em sua essência, e de que, todavia, um mal-estar permeia todas as<br />
relações sociais, a noção de cultura humana pode ser compreendida como a consequência psíquica coletiva deste dilema humano entre eu e o outro, entre o ser e o mundo que nos rodeia.</p>
<p>Como nos aponta a psicanalista Betty B. Fuks (1993), “se é verdade que o principal legado de Freud foi a fundamentação de um método de cura, no qual um homem, falando para um outro, encontra alívio à dor e à angústia, também é certo que a psicanálise inovou, de forma radical e irreversível, o modo de se refletir e pensar a cultura.” (p. 7)</p>
<p>Na verdade, Freud começou a repensar a cultura e o indivíduo a partir de suas desilusões com o espírito humano destrutivo e<br />
irracional que aflorou no coração da civilização européia, na Primeira Guerra Mundial. Como resume Fuks: “Ao se dar conta de que todos os empenhos culturais da história da humanidade foram insuficientes para drenar essa inclinação inevitável do sujeito à destruição, Freud… decidiu aprofundar suas reflexões sobre ‘a inclinação inata do ser humano ao ‘mal’, à agressão, à destruição e, com elas, também à crueldade.” E assim elaborou o conceito de <em>pulsão de morte</em>, cujo movimento visaria<br />
o retorno ao estado inanimado. A conceitualização da pulsão de morte enquanto contraponto às pulsões de vida ou sexuais substituiu a contraposição até então defendida por Freud, entre os princípios de prazer e realidade<a href="#_ftn3">[3]</a>.</p>
<p>A cultura humana passa então a ser vista na obra de Freud como consequência da constante busca de equilíbrio entre as pulsões de vida e a pulsão de morte – equilíbrio esse imprescindível ao sujeito e à civilização: “Quando [a pulsão de morte] é dirigida ao exterior do sujeito para prestar serviços à lógica do aniquilamento do outro – o que é a base de todas as guerras e do assassinato – a pulsão destrutiva dissolve e destrói tudo o que a vida e a cultura constróem” (Fuks, p. 39).</p>
<p>Como também descreve o psicanalista Mauro Mendes Dias (1993): “No que concerne ao sujeito, o principal produto desse laço social instaurado pela civilização foi detectado por Freud: o mal-estar – é o que retorna ao sujeito ao ceder à exigência da renúncia pulsional imposta pela civilização”. (p. 183). Apesar do mal-estar inerente, a única solução viável para o homem sobreviver com suas pulsões, na cultura, é através do ato de <em>sublimar<a href="#_ftn4"><strong>[4]</strong></a></em>. A sublimação tem a qualidade de fortalecer os laços sociais entre os homens, promover mudanças e desenvolver as grandes criações culturais, como a religião, a filosofia, a ciência, a arte e os ideais.</p>
<p>A cultura humana é portanto nossa forma desengonçada de domar a nossa natureza, transformando nossas pulsões destrutivas em ideias e recursos criativos, sofisticados e superiores.</p>
<p><strong>IV. </strong><strong><span style="text-decoration: underline;">O que estas contribuições psicanalíticas podem nos apontar:</span></strong></p>
<p><strong><em>A. Posicionamento crítico: responsabilidade individual &amp; coletiva</em></strong></p>
<p>Estamos acostumados a pensar a função do psicanalista dentro de sua prática clínica. Mas a psicanálise na verdade proporciona uma capacidade analítica tal que coloca o analista numa posição ética e cívica que vai além de seu consultório. Não se trata de <em>transpor</em> leituras clínicas individuais para o coletivo, mas sim de compreender o indivíduo contextualizado em seu meio social. O indivíduo não existe fora do meio -  ele é constituído pelas relações sociais, pela linguagem, e pela cultura que o permeia.</p>
<p>A própria obra de Freud é um exemplo vivo de sua busca em considerar o referencial psicanalítico para pensar a cultura humana – de questões biológicas a espirituais, de questões sociais à religião, economia, política; e também sobre a guerra, a origem das organizações sociais, à filosofia, e assim por diante. Freud nos aponta para a coragem e a necessidade<br />
de um olhar ético, que desmembra e dissolve os sentidos visíveis, completos e fechados, para considerar cada sujeito e cada fenômeno humano em seu contexto histórico e social, em sua dimensão profunda e multidimensional, e em sua<br />
característica relacional.</p>
<p>Mais ainda, em sua proposição de que o analista deve ser sempre crítico de sua cultura, Freud nos clama a que façamos resistência “a toda e qualquer visão de mundo capaz de impedir o sujeito – individual ou coletivo – de se expressar singularmente sobre o universal do amor, do ódio, da vida e da morte” (Fuks, p. 23). O movimento psicanalítico impõe assim ao<br />
analista o destino de tornar-se crítico da cultura que testemunha. “O analista não pode jamais ficar numa posição neutra na luta entre o obscurantismo da bárbarie e a cultura”, nos alerta Fuks (2003, p. 62). Esta é sua responsabilidade ética e cívica, que aponta para várias possibilidades de atuação, interpretação e ação no social.</p>
<p>No plano coletivo e para além da clínica transferencial, é portanto dever do analista escutar e denunciar a impunidade<br />
requerida por quaisquer movimentos a favor da intolerância. Como nos chama a atenção Betty B. Fuks (2003), em seu livro “Freud &amp; a Cultura”: “Freud foi categórico: o antídoto contra o traço compulsivo e indestrutível de assimilar, humilhar, destruir e infligir dores ao outro que a humanidade carrega é manter a chama do desejo de construir a vida permanente e infinitamente acesa” (p. 62)</p>
<p>A psicanálise tem assim contribuído para se pensar não apenas o ser humano, mas também tudo o mais que lhe diz respeito: sua história, sua cultura, sua política e economia; suas incessantes buscas e indagações, suas frustrações, desejos e sofrimento. Não que a psicanálise, enquanto referencial teórico e filosófico, possa oferecer respostas e soluções prontas – muito pelo contrário, não se propõe e nem poderia responder, mas sim, oferecer instrumentos para questionar, analisar e formular as questões humanas mais diversas.</p>
<p>Outrosim, enquanto <em>prática de alteridade</em>, a psicanálise aponta para a necessidade que temos de reconhecer e incluir o outro, para nos livrar de nosso destino de outra forma auto-destrutivo. Assim, pode e deve o psicanalista, sempre a partir de um<br />
fenômeno, buscar razões e conexões outras que a primeira vista passam desapercebidas. Partindo-se do princípio freudiano básico de que somos determinados pelo inconsciente, cuja característica é justamente <em>estar além</em> de nosso conhecimento e<br />
realização conscientes, a psicanálise busca seu objeto fora do visível, para incluí-lo, rompendo as ligações manifestas para fazer com que apareçam as conexões latentes; dissipando assim as significações articuladas e completas para que o sentido inconsciente possa emergir. Esta busca do sentido inconsciente, e das significações determinadas por causas que nos escapam e ao nosso controle, possibilita <em>ressignifações </em>que vão dirigindo o sujeito rumo a uma maior responsabilidade assim como maior<br />
liberdade sobre seu próprio destino.</p>
<p><strong><em>B. Psicanálise e Intolerância</em></strong></p>
<p>O que é possível frente à intolerância? Esta é uma pergunta que me coloco constantemente. Qual pode ser o alcance de nossa ação? Qual é o meu poder de mudança, e qual meu dever de intervenção?</p>
<p>Quando me coloco a questão da intolerância, observo que algumas instâncias do intolerável me são mais difíceis de pensar, analisar, e encontrar um sentido do que outras. E isto me aponta à primeira característica fundamental do fenômeno da intolerância: que este é muito mais subjetivo do que objetivo; ou seja, que diz mais respeito acerca do sujeito que não tolera, do que do objeto que não é tolerado. Isto significa também que o que não tolero no objeto também diz mais respeito a mim do que ao objeto – geralmente porque possuo em mim tais características “intoleráveis”, e busco em objetos externos receptáculos para escoar o sentimento negativo, o ódio, que essas características, minhas, me provocam.</p>
<p>Em psicanálise denonimanos de “projeção” o mecanismo de depositar fora algo que originalmente nos pertence para lidar com estes elementos como se fossem externos. Projeto para fora algo que me pertence, mas que eu preferiria que não estivesse ali. Ao colocar para fora, depositando num objeto externo, creio poder lidar com sua existência como se não me pertencesse, como<br />
se não me dissesse respeito.</p>
<p>Do ponto de vista psicanalítico, consequentemente, o fenômeno da intolerância representa processos irracionais inconscientes e<br />
conscientes, que são também históricos e constituídos dentro e pela cultura. O fenômeno do preconceito não pode ser pensado como singular ou universal, mas como um fenômeno múltiplo, que aponta para vicissitudes sociais, históricas e culturais do tempo e espaço em que se manifesta. É neste sentido que a intolerância pode ser compreendida em sua dimensão de <em>sintoma<a href="#_ftn5"><strong>[5]</strong></a> </em>das faltas e falhas psíquicas, sociais, e culturais. E como não há como se sustentar a dicotomia entre indivíduo e sociedade, não há como se conceber uma dicotomia entre dentro e fora, percebe-se que todo sintoma pessoal é também social.</p>
<p>Sendo assim, para melhor compreender e analisar tais fenômenos, é preciso contextualizá-los em sua dimensão histórica, dinâmica, cultural e multidimensional. Como sugere a psicanalista americana Jill B. Bloom (2008), “as ansiedades psíquicas na forma de preconceitos são, em um sentido, janelas para as ansiedades culturais. (…) O preconceito é tanto cognitivo quanto cultural, e tanto um processo consciente quanto inconsciente”. A autora nota ainda que: “concentrar a atenção nas dimensões históricas e culturais do preconceito revela a inadequação dos modelos de explicação descritivos, e demanda uma análise mais dinâmica, e eu advogo, uma análise psicanalítica”. (p. 6)</p>
<p>As diversas formas de preconceito, e o fenômeno da intolerância em geral, devem ser entendidos portanto enquanto sintomas<br />
psíquicos, sociais e culturais – de estruturas sociais e culturais que marcam os encontros e desencontros do eu com o outro.</p>
<p><strong><em>C. Bases Educacionais para a Tolerância:</em></strong></p>
<p>Num texto bastante conhecido, denominado “Educação após Auschwitz”, Theodor Adorno (1969) propõe um exercício de “inflexão em direção ao sujeito”: “é preciso reconhecer os mecanismos que tornam as pessoas capazes de cometer tais atos [bárbaros como em Aushwitz], é preciso revelar tais mecanismos a eles próprios, procurando impedir que se tornem novamente<br />
capazes de tais atos, na medida em que se desperta uma consciência geral acerca desses mecanismos. (…) A educação tem sentido unicamente como educação dirigida a uma auto-reflexão crítica.” (p. 2-3)</p>
<p>Mais importante do que tentar acabar com a intolerância, é portanto pensar em formas de se administrar e lidar com esse fenômeno, no eu tanto quanto no outro. O confronto com o outro – que é intolerante – necessariamente se inicia no confronto com si mesmo. Mais ainda, já que o outro é sempre sentido como uma ameaça que nos amedronta, a tolerância advirá do reconhecimento da impossibilidade de nos livrarmos da relação com o outro enquanto espelho de mim mesmo.</p>
<p><strong>V.         <span style="text-decoration: underline;">C</span></strong><span style="text-decoration: underline;"><strong>onsiderações finais:</strong></span></p>
<p>Aqueles que, preocupados e ocupados em educar e formar novas gerações, buscam formas de fomentar a “Educação para a Tolerância”, precisam ocupar-se e preocupar-se em reconhecer antes de tudo nossa própria condição de humanidade, o preço e o prêmio de nossa existência, o possível e o impossível de nossas ações. A partir do reconhecimento dos limites e das possibilidades em cada um de nós, poderemos nos implicar nos rumos que este grande barco da cultura e da sociedade traçam,<br />
buscando o norte da tolerância e da <em>com-vivência</em>, da identificação e da aceitação, da sublimação coletiva a cada mal-estar<br />
individual, e da superação individual a cada mal-estar causado pela inserção faltosa no social.</p>
<p>Se Freud, Lacan, Foucault e tantos outros pensadores nos têm ensinado que não existem sentidos completos e nem significados definitivos, isto aponta para a responsabilidade e a delícia que todos temos de fomentar a perspectiva da abertura, das<br />
resignificações e de novas possibilidades para a cultura e o coletivo que nos cerca e indaga. E mesmo quando e se não indaga, podemos contribuir, com a não neutralidade que nos cabe – pois é impossível ficar neutro ou impassível frente às constatações em relação aos fenômenos culturais e humanos, e especialmente, frente aos vários fenômenos e manifestações de intolerância que nos cercam.</p>
<p><strong>Bibliografia:</strong></p>
<p>Adorno, T. W. Educação após Aushcwitz. In: <em>Palavras e Sinais</em>. <em>Modelos críticos</em> 2. Petrópolis, Vozes, 1995 (1969).</p>
<p>Bloom, J. B. “Contemporary conceptualizations of prejudice: a psychoanalytic perspective” [Teorizações contemporâneas do preconceito: uma perspectiva psicanalítica]. <em>Latin American Journal of Psychopathology online.</em> 5(1):32-43, May 2008.</p>
<p>Dias, M. M. <em>Laço Temporal.</em> in <em>Jacques Lacan: A Psicanálise e Suas Conexões</em>, Quinet, A. (org). Rio de Janeiro: Imago Ed. 1993</p>
<p>FREUD, S. <em>Los Dos Principios del Funcionamiento Mental</em> (<em>Os dois princípios do Funcionamento Mental)</em>. in <em>Obras Completas</em>, Tomo II. Spain: Editorial Biblioteca Nueva: 1910-1911 [1911].</p>
<p>__________ Mas Alla Del Principio Del Placer (<em>Mais além do Princípio do Prazer)</em>. in <em>Obras Completas</em>, Tomo III. Spain: Editorial Biblioteca Nueva: 1919-1920 [1920].</p>
<p>__________ <em>El Porvenir de Una Ilusion (O</em> <em>Futuro de uma Ilusão)</em>. in <em>Obras Completas</em>, Tomo III. Spain: Editorial Biblioteca Nueva: 1927.</p>
<p>__________ <em>El Malestar en La Cultura (O</em> <em>Mal Estar na Cultura)</em>. in <em>Obras Completas</em>, Tomo III. Spain: Editorial Biblioteca Nueva: 1929 [1930].</p>
<p>Fuks, B. B. <em>Freud &amp; A Cultura</em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor: 2003.</p>
<p>Lacan, J. <em>Escritos</em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor: 1966– 1995.</p>
<p>Laplanche, J. &amp; Pontalis, J.-B. <em>The Language of Psycho-Analysis</em>. New York, WWNorton &amp; Company Inc.: 1973.</p>
<p>Mezan, R. <em>Freud, Pensador da Cultura</em>. São Paulo: Ed. Brasiliense: 1986</p>
<p>Quinet, A. <em>A Heteridade de Lacan</em>. Rio de Janeiro, publicação online: <em><a href="http://www.robertexto.com">www.robertexto.com</a></em><em>.</em> 2001. Baixado em 12/09/2010.</p>
<p>ROTH, M. (org). <em>Freud, Conflict and Culture – Essays on His Life, Work and Legacy</em>. USA:  First Vintage Books Edition: 1998 [2000].</p>
<hr size="1" />
<p><a href="#_ftnref1">[1]</a> Quinet, Antonio: <em>A Heteridade de Lacan</em> (Texto apresentado no colóquio “2001- Uma odisséria lacaniana”, Rio de Janeiro, 11 de abril de 2001)</p>
<div>
<div>
<p><a href="#_ftnref2">[2]</a> O conceito de “Perversão” como é utilizado em psicanálise equivale às ‘psicopatias’ do linguajar psiquiátrico, embora com<br />
algumas diferenças sobre sua origem e seus sintomas.</p>
<p><a href="#_ftnref3">[3]</a> Estes 2 princípios foram inicialmente apresentados por Freud no texto: Os dois princípios do funcionamento mental, de 1911. Em 1920, no famoso texto “Mais Além do Princípio do Prazer”, Freud admite seu espanto e encanto com a realização de que <span style="text-decoration: underline;">não</span> somos movidos <em>apenas </em>pela contraposição entre prazer e realidade (que nos obrigaria a comprometer e adiar o prazer), mas por algo maior, mais complexo, mais intenso, e que fica muito mais “além do princípio do prazer”, o qual ele denominou de “pulsão de morte”: nossa vida psíquica é portanto não apenas movida por forças amorosas, sexuais, de vida, como também por forças destruidoras, odiosas, de morte! Esta nova concepção freudiana modificou as mais importantes bases do pensamento<br />
psicanalítico.</p>
</div>
<div>
<p><a href="#_ftnref4">[4]</a> <em>Sublimação</em>: processo postulado por Freud para englobar as atividades humanas que não tem conexão aparente com a sexualidade e possuem valor e reconhecimento social, mas que são consideradas como motivadas pelas pulsões sexuais (de<br />
vida), como por exemplo as criações artísticas e a aprendizagem. (Fonte: “The Language of Psycho-Analysis” [Dicionário da Psicanálise], by J. Laplanche &amp; J.-B. Pontalis, 1973)</p>
</div>
<div>
<p><a href="#_ftnref5">[5]</a> <em>Sintoma</em> aqui é utilizado no sentido psicanalítico, de sinal e de consequência de alguma outra coisa, anterior.</p>
</div>
</div>
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		<title>TRIBUTO de JANUSZ KORCZAK ao AMOR e às CRIANÇAS</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 20:02:25 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Janusz Korczak foi um famoso e importante médico, autor e ativista pelos direitos das crianças, na Polônia antes da Segunda Grande Guerra. Nascido judeu, de nome verdadeiro Henryk Golszmit (1878 – 1942), começou a escrever contos com o pseudônimo de um herói infanto-juvenil da época, “Janusz Korczak” – uma espécie de “Harry Potter” polonês. Como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Janusz Korczak foi um famoso e importante médico, autor e ativista pelos direitos das crianças, na Polônia antes da Segunda Grande Guerra. Nascido judeu, de nome verdadeiro Henryk Golszmit (1878 – 1942), começou a escrever contos com o pseudônimo de um herói infanto-juvenil da época, “Janusz Korczak” – uma espécie de “Harry Potter” polonês. Como médico e educador, revolucionou as formas de pensar e de tratar as crianças e adolescentes! Trabalhava com crianças, inclusive em orfanatos. Manteve um orfanato em Varsóvia, para crianças judias de famílias de poucos recursos, onde aplicava suas ideias revolucionárias em relação à educação democrática. Sofreu discriminação enquanto judeu, mas era famoso sob o pseudônimo (não judaico) de Dr. Korczak. No rádio, inventou programas de e para crianças, e seus livros infantis e infanto-juvenis encantaram diversas gerações!</p>
<p>Acabou ficando um pouco mais conhecido pela maneira como morreu, com suas 200 crianças, nos campos de concentração de Treblinka em 1942.</p>
<p>“Médico, escritor, educador, toda a vida de Korczak foi marcada pelo amor que dedicava às crianças.”</p>
<p>Do livro “Como amar uma criança” (com várias traduções para muitas línguas, do original em Polonês ‘Jak Kochacdziecko’, 1958) – tradução para o português: Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1983.</p>
<p>Compartilho abaixo dois trechos deste seu livro, que apesar da distância temporal e geográfica, ainda nos fala diretamente ao coração, sobre como entender e “como amar uma criança”…!</p>
<p>Páginas 62 e 63:</p>
<p>‘Quando vejo um bebê abrir e fechar uma caixa, colocar dentro uma pedra, tirá-la, colocar outra vez, depois de sacudir a caixa para escutar o barulho que faz; quando o vejo com um ano puxando um banquinho, cambaleando sobre suas pernas pouco firmes, sob um peso que ultrapassa suas forças, ou com dois anos, dizer “muuuu” vendo uma vaca, depois acrescentar “ada muuuu”, porque “ada” é o nome que ele dá ao cachorro da casa; quando penso na lógica destes erros de linguagem dignos de serem anotados e publicados…</p>
<p>Quando, no bolso de um garoto descubro pregos, barbante, pedaços de vidro e que ele me explica “que tudo isto um dia pode servir para alguma coisa”; quando o vejo trabalhar, se apressar, organizar jogos; desafiar um amigo para ver quem salta mais longe; quando ele me pergunta: “Se eu penso numa árvore, será que quer dizer que tenho uma árvore minúscula na cabeça?” Ou quando ele dá a seu avô todas as economias, porque “o coitado está tão velho que sem dúvida não viverá mais muito tempo…”</p>
<p>Quando surpreendo um adolescente que alisa os cabelos com a ajuda da saliva no dia em que ele espera a visita da amiga de sua irmã; quando uma mocinha me escreve que o mundo é detestável e as pessoas iguais aos animais, mas não me diz porque; quando um adolescente revoltado, maravilhado por uma ideia que é apenas um lugar comum, joga-a na face do mundo como um desafio…</p>
<p>ABRAÇO TODAS ESSAS CRIANÇAS COM O MEU OLHAR E COM O MEU PENSAMENTO: oh! Maravilhoso mistério da natureza, quem são vocês, o que vocês nos trazem? Eu os abraço com toda a minha afeição: como posso ajudar vocês? Eu os abraço como um astrônomo abraça uma estrela que existiu, que existe, que existirá. Um tal beijo vale o êxtase de um cientista e uma humilde oração. …’</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Páginas 145 e 146:</p>
<p>‘O amor.</p>
<p>A Arte fez dele um deus e um louco colocando-lhe asas ou camisa-de-força, sentando-o num trono ou fazendo-o provocar os que passam na rua, ele fez mil loucuras, passando da adoração ao ultraje. A ciência, depois de pôr seus óculos, inclinou sua fronte calva sobre a fisiologia do amor, observando, antes de tudo, os seus abcessos. O papel do amor será o de “conservar a espécie humana”? Sem dúvida, mas com esse conceito nós o empobrecemos tristemente. A astronomia, depois de descobrir que o Sol brilha e dispende calor, procura saber mais sobre ele.</p>
<p>Por tudo isso, chegamos à conclusão de que o amor é algo um pouco suspeito: um pouco louco, um pouco sujo, muitas vezes um pouco ridículo. Somente a ligação conjugal legítima e procriadora obteve nossa complacência.</p>
<p>Sorrimos quando vemos um menino de seis anos oferecer metade do seu doce para a amiguinha; quando uma mocinha enrubece ao cumprimento de um rapaz na rua; quando um adolescente mostra para todos o retrato de sua bem-amada; quando uma garota se precipita para abrir a porta ao professor de seu irmão.</p>
<p>Mas não gostamos quando os surpreendemos brincando silenciosamente num canto, ou rolando por terra, sem folêgo, num corpo a corpo apaixonado.</p>
<p>E realmente ficamos possessos quando o amor de nossa filha ou filho contraria nossos projetos.</p>
<p>Rimos quando o amor ainda está longe, inquietamo-nos quando parece se aproximar e zangamo-nos quando falseia nossos cálculos. Ferimos nossos filhos com nossas caçoadas e suspeitas, quando zombamos da pureza de seus sentimentos.</p>
<p>Então se escondem para se amar.</p>
<p>Ele a ama porque se parece com a madona da igreja do bairro, porque é pura e bela e não se parece em nada com a prostituta que um dia viu na soleria de uma porta.</p>
<p>Ela o ama porque ele lhe disse que se casaria com ela, e não a obrigaria a se despir diante dele; se contentaria em beijar suas mãos; um dia ela permitiria que ele a beijasse de verdade.</p>
<p>Eles conhecem todas as formas de amor, menos aquela da qual suspeitam os adultos.</p>
<p>- Em vez de namorar, seria melhor… correndo atrás das meninas, você acabará…</p>
<p>- Por que eles estão sempre espiando a gente, nos ameaçando?… Será errado gostar mais de alguém que de seus pais? Talvez o pecado seja isso?</p>
<p>Não é preciso chegar à puberdade para conhecer o amor. Uns sabem amar desde pequenos, outros caçoam desse sentimento, e isso acontece sejam eles adultos ou crianças.’</p>
<p>Enfim, obrigada caro Dr. Korczak, por essas e tantas outras “chamadas” para que vejamos cada um com suas peculiaridades individuais, ao mesmo tempo compreendendo que cada um é um mundo, um intricado e interessante universo, a ser descoberto, conhecido, explorado mas também, respeitado em suas características especiais!</p>
<p>E fica aqui essa recomendação de leitura, para este livro maravilhoso!</p>
<p>Com carinho,</p>
<p><strong>Sheila Skitnevsky Finger</strong></p>
<p>Publicado no Instituto do Amor, em novembro 7th, 2011</p>
<p><a href="http://www.institutodoamor.com.br/instituto/?p=1263">http://www.institutodoamor.com.br/instituto/?p=1263</a></p>
</div>
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		<title>Bullying: quem sofre?</title>
		<link>http://maepessoa.com.br/site/2011/06/bullying-quem-sofre/</link>
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		<pubDate>Thu, 30 Jun 2011 20:03:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[instituto do amor]]></category>
		<category><![CDATA[bullying]]></category>

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		<description><![CDATA[Nestes dias tenho me visto bastante diante do assunto de bullying, e resolvi compartilhar algumas reflexões. Este assunto tem recebido uma atenção de certa forma inédita, tanto entre o público geral quanto na mídia. Escolas oferecem palestras para esclarecer o conceito de bullying e o que pode ser feito a respeito; famílias se assustam com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Nestes dias tenho me visto bastante diante do assunto de <em>bullying</em>, e resolvi compartilhar algumas reflexões.</p>
<p style="text-align: justify;">Este assunto tem recebido uma atenção de certa forma inédita, tanto  entre o público geral quanto na mídia. Escolas oferecem palestras para  esclarecer o conceito de <em>bullying </em>e o que pode ser feito a  respeito; famílias se assustam com histórias que ocorrem entre crianças,  nas escolas, nos clubes, nos grupos, e temem pela segurança dos seus  filhos, torcendo para que eles não virem as próximas “vítimas” deste  fenômeno; e crianças e adolescentes ficaram mais atentos e alertas,  muitos temendo que ocorra algo parecido com eles, outros reconhecendo  para si mesmos que talvez isto já tenha ou esteja acontecendo com eles  também…</p>
<p style="text-align: justify;">Algumas pessoas declaram: “é a nova moda”. Outros ponderam: “isto sempre  aconteceu, mas não se falava disso”. Alguns preferem diminuir a  importância: “aconteceu com muitos de nós, mas e daí, sobrevivemos,  não?!”.<br />
O que podemos pensar a partir deste inédito interesse no assunto? Será que sabemos dizer e reconhecer o que é o tal fenômeno de <em>bullying</em>? O que muda em nossa vida? O que tiramos disto?</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro de tudo é importante diferenciar o fenômeno de <em>bullying </em>de  outros comportamentos infantis e infanto-juvenis, que apesar de ser  desagradáveis ou até agressivos, não necessariamente se qualificam como <em>bullying</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Bullying </em>tem sido definido como padrões de comportamento  agressivo e repetitivo com o objetivo de prejudicar alguém. Inicialmente  definido em relação a crianças e adolescentes, tem sido também  inclusivo a adultos, em ambientes de trabalho, em família (entre irmãos  ou entre familiares), entre professores e alunos, ou até entre vizinhos  ou membros de comunidades.</p>
<p style="text-align: justify;">É importante notar que esta nova leitura, compreensão e nomeação de um  fenômeno que de fato sempre ocorreu na história da humanidade, tem  permitido um reconhecimento das consequências e do sofrimento das <strong>vítimas </strong>de <em>bullying</em>,  consequências que vão de aspectos emocionais – baixa auto-estima,  insegurança, pensamentos persecutórios, ansiedade, medo de lugares e  pessoas novas, depressão, até ideias suicidas – a sintomas físicos, como  dores de cabeça e estômago, perda de apetite, sudorese, batimentos  cardíacos acelerados, dores generalizadas, mal-estar, ataques de  angústia, insônia, e assim por diante.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas também tem sido mais e mais reconhecido que não sofrem apenas as vítimas diretas do <em>bullying</em>!  São necessariamente três grupos de pessoas que participam deste  fenômeno, a saber: os agressores, as vítimas, e as testemunhas, ou  platéias.</p>
<p style="text-align: justify;">As <strong>vítimas</strong>, como descrito acima, sofrem pelas agressões, pela impotência, pela auto-segurança… Mas as <strong>testemunhas </strong>também  sofrem ao se ver diante da própria impotência – seja de se defender  (qualquer um pode ser a próxima vítima) ou de defender o próximo. Alguns  tentam defender colegas, amigos, familiares – às vezes com sucesso,  pois os agressores, quando sentem-se em desvantagem, muitas vezes ficam  acuados e desistem da agressão. Outros se defendem posicionando-se de  forma neutra ou até participativa às agressões, na tentativa de não  virar a próxima vítima.</p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente, é importante notar também que os <strong>agressores </strong>muitas  vezes agridem, provocam, são violentos, porque de alguma forma estão  sofrendo, e o fazem como forma de “descontar” seu sofrimento; ou de  “esconder”, mascarar, para si e/ou para os outros o que lhe incomoda, e  que algo que faz sofrer. O fato é que esse comportamento pode e deve ser  entendido como um sinal de que algo não está bem, e precisa ser  resolvido, encarado.<br />
Com isso não quero dizer que temos que aceitar o comportamento de <em>bullying</em>,  ou simplesmente desculpar os agressores. Mas precisamos entender que  TODOS SOFREM com esta situação! E não basta separar os agressores, se  distanciar, taxá-los de maus ou rejeitá-los.</p>
<p style="text-align: justify;">De fato, muitas vezes as pessoas acabam assumindo diferentes destas  posições – de agressor, vítima, testemunha – em diferentes situações.  Quantos de nós já não participamos, consciente ou incidentalmente, de  rechaçamentos grupais, seja de indivíduos ou de grupos? Um chefe que não  era tolerado… Um membro da família “pego para santo”, por suas atitudes  irritantes, tidas como diferentes ou contra a “cultura” do grupo… Uma  criança difícil… Um adolescente difícil…</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, é importante compreender o fenômeno de forma dinâmica – quem  se posiciona de que forma nesta situação? Por que? O que sinaliza? E  mais importante: Como podemos acolher o sofrimento de cada um envolvido  nestas situações, e como ajudá-los a mudar de comportamento e diminuir o  sofrimento?<br />
Uma mensagem há de ser clara: a agressão, a provocação, a discriminação deve ser INTOLERÁVEL, INACEITÁVEL!</p>
<p style="text-align: justify;">Não podemos “acolher” o comportamento discriminatório!<br />
Mas acolhemos as pessoas envolvidas, acolhemos o sujeito por trás do comportamento inaceitável.<br />
Voltamos ao conceito de AMOR COM FIRMEZA – amar não é aceitar tudo.<br />
Amar dá trabalho! Mas o resultado vale a pena!</p>
<p style="text-align: justify;">Grande abraço a tod@s,<br />
<strong>Sheila Skitnevsky Finger<br />
Instituto do Amor</strong></p>
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		<title>Será que cabe mais amor na nossa vida?</title>
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		<pubDate>Wed, 18 May 2011 12:51:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a rel="attachment wp-att-54" href="http://maepessoa.siteprofissional.com/site/2011/05/sera-que-cabe-mais-amor-na-nossa-vida/institutodoamor_cachorro-2/"><img class="alignnone size-full wp-image-54" title="institutodoamor_cachorro" src="http://maepessoa.siteprofissional.com/site/wp-content/uploads/2011/05/institutodoamor_cachorro1.jpg" alt="" width="590" height="443" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Momentos  de transição por aqui. Fora a vida super cheia que já tenho, estou  começando um novo emprego e vou comprar um cachorro para meu filho e  para eu cuidar e amar, é claro.  Demorei muito para tomar essa decisão.  Todo mundo que tem filho pequeno já sentiu essa pressãozinha… Mãeee, eu  quero um cachorrinho. Compra, vai…  E o coração de mãe fica bem  dividido. Cachorro? Tem que educar, levar para passear, comprar ração,  levar para tomar vacina. Isso se tudo correr bem, fora quando o cachorro  fica doente e tem que tomar antibiótico, se machuca. Já tive cachorro e  já tive gato e sei muito bem o tamanho da encrenca. Não posso culpar  ninguém por essa escolha puramente emocional. Meu filho é filho único,  irmãozinho não vai rolar mesmo nessa altura do campeonato. Ele fez 7  anos esse ano, saindo oficialmente da primeira infância. Na  Antroposofia,  a cada sete anos entramos em um novo ciclo de vida.  Coincidência ou não, eu também estou entrando em um novo setênio. Os  dois prontos para novas aventuras.</p>
<p style="text-align: justify;">O cachorro já nasceu. Vai chegar com 40 dias na semana do Pessach ,  no sábado de Aleluia.  Pessach é uma festa da passagem – da escravidão  para liberdade do povo judeu. Cheia de lembranças tristes, mas também  cheia de esperança.  A Páscoa também marca a passagem de Cristo, da  morte para a vida eterna. Enfim, meu cãozinho chega na semana certa. Vem  para marcar muitas mudanças: o fim da primeira infância do meu filho, a  passagem para uma vida mais madura, de responsabilidade e aprendizagem.  Eu também inicio um novo um ciclo, o sétimo setênio  é a fase da crise  biológica, nova adolescência. Nesse momento, o ser humano desenvolve a  coragem para atuar, aumenta-se a capacidade de altruísmo (fazer o bem) e  de correr riscos. Tudo indica que estamos prontos para esse novo ser  que entra na nossa vida para nos trazer tudo que uma nova relação pode  significar.  Não tenho ilusões que vai ser tudo florido. Mas tenho a  esperança que vamos saber lidar com os desafios com amor, humor e  sabedoria. Talvez seja essa a grande lição.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tania Novinsky</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong>* Publicado no <strong><a href="http://www.institutodoamor.com.br/instituto/?p=692&amp;sms_ss=blogger&amp;at_xt=4db015f46349ca59%2C0" target="_blank">Instituto do Amor</a></strong></p>
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		<title>Desafios de Ter Filhos na Pós-Modernidade</title>
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		<pubDate>Wed, 18 May 2011 12:51:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[pós-modernidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Desafios da Pós-Modernidade O ato de se tornar mãe revoluciona não apenas a vida da mulher que optou por dar à luz, mas todo o esquema familiar e profissional a que ela pertence. Principalmente neste momento histórico em que as mulheres se capacitam para ter um papel no mundo social, desenvolvem competências profissionais e adquirem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Desafios da Pós-Modernidade</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O ato de se tornar  mãe revoluciona não apenas a vida da mulher que optou por dar à luz, mas  todo o esquema familiar e profissional a que ela pertence.  Principalmente neste momento histórico em que as mulheres se capacitam  para ter um papel no mundo social, desenvolvem competências  profissionais e adquirem independência econômica antes do casamento, a  maternidade rompe com a construção da identidade profissional e social.</p>
<p style="text-align: justify;">Nestes  novos tempos é possível escolher quê estilo de vida queremos ter, os  papéis que queremos exercer, e que atividades queremos desenvolver.  Todavia, a possibilidade de tantas escolhas e opções não necessariamente  torna a nossa vida mais fácil… Mulheres podem trabalhar fora, podem  construir uma carreira, podem obter satisfação na vida profissional; mas  como combinar casa e trabalho? Como combinar satisfação profissional  com satisfação familiar e pessoal? Onde está o equilíbrio? Quais as  novas possibilidades, e quais os limites para a mulher de hoje?</p>
<p style="text-align: justify;">No  desafio da vida moderna, esta mulher precisa conciliar as suas  aspirações maternais a toda uma gama de obrigações pessoais e  profissionais. Sem uma administração eficiente, esta situação múltipla  acaba por gerar conflito, desgaste e estresse.</p>
<p style="text-align: justify;">Em resumo, a era  pós-moderna é uma época de liberdade e responsabilidade, de novas  possibilidades e novos desafios. E para mães e pais, é tempo de se  reinventar – pois somos nós, pais e mães de hoje, que estamos galgando  os caminhos pelos quais passarão nossos filhos e netos; cabe a nós  contribuir para um futuro de possibilidades mais amplas porém possíveis.  Portanto, a pós-modernidade é marcada pela confluência entre tudo o que  se tornou possível, e a falta de definições claras. Ou, dito de outra  forma, tudo hoje é uma questão de escolhas; esse é o desafio, mas também  a maravilha para os pais de hoje!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Família Pós-Moderna:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A  familia pós-moderna não nasceu assim; há um contexto, uma história. É  importante entender como chegamos até aqui, para visualizar para onde  queremos e podemos ir.<br />
Antigamente ser mãe era “natural”, ou seja, a  maternidade era vista como a principal função e identidade a ser  almejada pelas mulheres. Porém, em nossa era pós-feminista, ter uma  carreira ou atividade passou a ser esperado das mulheres e pelas  mulheres. Enquanto as expectativas da sociedade em relação às mulheres  mudaram, o suporte que a mulher recebe – seja do marido ou da família, e  de modo geral da sociedade – seguramente não acompanhou esta evolução  das expectativas do papel da mulher.</p>
<p style="text-align: justify;">A modernidade já se vai no  tempo, época em que as mulheres descobriram a possibilidade de se  igualar ao homem, de buscar realizações para além das atividades  domésticas e familiares. O movimento feminista possibilitou muitas  aberturas para as mulheres, e até hoje ainda estamos reinventado a  educação dos filhos. Muitas são as equações que integram o cotidiano dos  pais de hoje – múltiplas funções, imposição social quanto a carreira ou  atividade profissional, conhecimento sobre teorias e técnicas de  educação, e assim por diante.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje espera-se da mulher que se  realize dentro e fora de casa, que seja uma mãe presente, competente,  educadora e eficaz, mas que também se preocupe com sua identidade  pessoal, que se cuide, que esteja bem resolvida, que ganhe dinheiro e  contribua com as finanças de casa, etc. Nossa geração foi educada para  pensar e almejar uma carreira profissional ou uma atividade  gratificante. E para a maior parte das mulheres, ser mãe e formar uma  família segue sendo uma prioridade. Para o pai de hoje também houveram  mudanças em relação à possibilidade de participar presente e ativamente  na educação dos filhos e na vida familiar.</p>
<p style="text-align: justify;">Concluimos portanto  que a mulher saiu de casa e multiplicou seus papéis, enquanto o homem se  interessou mais pela educação dos filhos; mais ainda, através da  pediatria, psicologia, psicanálise e teorias do desenvolvimento, as  crianças também passaram a ter uma nova importância familiar e social, e  passaram a receber um olhar mais cuidadoso. Portanto enquanto os papéis  dos pais se multiplicaram dentro e fora de casa, criou-se uma nova e  maior demanda para se olhar, entender, educar e se relacionar com os  filhos. A questão é que enquanto existem agora mais opções e mais  informações em como se educar e criar os filhos, dadas as demandas mais  exigentes, existem poucos modelos prontos. Hoje, os filhos vem se  transformando no maior projeto de vida dos pais e de quem os rodeia, e  aí mora o perigo do “filhocentrismo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, com a  diminuição da influência da comunidade para com cada família, aumentou a  importância dos pais e educadores diretos enquanto modelos – de estar  no mundo, de se relacionar com outras pessoas e com o ambiente, de se  relacionar com a busca de conhecimento e de informações, com a  aprendizagem e o processo civilizatório. São os pais de hoje (e/ou  aqueles que exercem as funções maternas e paternas para as crianças) os  principais modelos de pessoa para os filhos; é quem os ensina como ser e  buscar o que almejam, a desenvolver os próprios talentos e aspirações, e  a encarar seus desafios e obstáculos.</p>
<p style="text-align: justify;">O desenvolvimento e a  manutenção da dimensão pessoal de cada mãe e pai é fundamental tanto  para a própria saúde mental e integridade emocional, quanto enquanto  modelo de pessoa para os próprios filhos. Ensiná-los por modelo como ser  e buscar o que almejarem, desenvolvendo seus próprios talentos e  aspirações, encarando seus desafios sem se deixar abater, todos esses  são ensinamentos que influenciam na formação dos filhos. Estar presente e  disponível é fundamental. Mas ter momentos de ausências para se buscar  realizar os próprios projetos pessoais e/ou profissionais – dadas as  condições apropriadas para que as crianças estejam sendo bem cuidadas e  assessoradas – é também fundamental.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como Lidar com essa nova realidade</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Propomos  a seguir algumas estratégias possíveis para auxiliar os pais neste  processo de educar, que requer estar ativamente envolvido, sem perder de  vista a preocupação consigo próprio, enquanto pessoa, e enquanto MODELO  de pessoa para os filhos:</p>
<p style="text-align: justify;">1) Olhar Bi-Focal &#8211; presente versus  futuro: manter um olhar, uma perspectiva bi-focal, onde ora  privilegia-se o presente, o aqui-e-agora, ora privilegia-se o futuro, o  que virá, o que será.</p>
<p style="text-align: justify;">2) Combinação de recursos: é preciso  compreender e aceitar que para cada família haverá uma combinação  possível e específica. O que é possível e desejável para alguns não o é  para outros. Não existem fórmulas mágicas: para se alcançar uma  combinação eficaz há que se levar em conta o contexto e os recursos de  cada mãe, pai, da família, de cada sistema.</p>
<p style="text-align: justify;">3) “Vida-bilidade”:  criamos o conceito de “vida-bilidade”, ou seja, de pensar a viabilidade  da vida de cada um ou grupo. Trata-se portanto de buscar maneiras de  tornar a vida mais viável para si e para a família, incorporando os  valores, os projetos, as aspirações, assim como a realidade e as  limitações pessoais e familiares; enfim, maneiras de tornar sua vida  mais viável, dentro da realidade de sua realidade. Para se criar  vida-bilidade, algumas premissas se fazem necessárias, como: manter  expectativas realistas; ser flexível e criativo; saber priorizar  tarefas, interesses e objetivos; utilizar ajuda (delegar, sabendo  identificar o quê e a quem); aprender a organizar e administrar as  várias funções e os vários papéis; manter constante reavaliação do  processo sobre o que está e o que não está funcionando; se divertir. Em  suma, lembrar que sempre existe um leque de opções; portanto dentre este  leque, tentar eleger o que poderá promover maior vida-bilidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Reflexões finais</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na  experiência pós-maternidade, passa a ser imprescindível reorganizar o  novo cotidiano, pois assim como outras experiências, a maternidade nos  desorganiza e nos pressiona a rever nossos valores, princípios, e até  mesmo aspectos que pensávamos “resolvidos” de nossa identidade. Todavia,  faz-se importante lembrar que crise também oferece oportunidade,  portanto, pode-se, deve-se tomar essa desorganização como uma grande  oportunidade de melhorar. Ou seja, se é verdade que mudanças causam  angústia, também trazem liberdade, e são portanto ótimas oportunidades  de crescer, de se re-inventar, e de se superar!</p>
<p style="text-align: justify;">[1] Sheila Skitnevsky-Finger, psicóloga, psicanalista, com doutorado em  Psicologia pela Massachusetts School of Professional Psychology, em  Boston, USA (2004). Atende em consultório particular na Vila Madalena,  em São Paulo; é sócia fundadora do <strong>Instituto Mãe Pessoa</strong>; e é  pesquisadora pelo Centro de Estudos em Psicanálise e Intolerância –  Cepi/LEI da USP. Tania Novinsky Haberkorn, psicóloga, psicoterapeuta,  com mestrado em Psicologia Clínica pela Universidade Antioch de Los  Angeles, CA, em 1996. Atende em consultório particular no Brooklin, em  São Paulo; é sócia fundadora do <strong>Instituto Mãe Pessoa</strong>.<br />
[2] O <strong>Instituto Mãe Pessoa</strong> oferece cursos e treinamentos cujo objetivo é  possibilitar um espaço para reflexão e conhecimento em busca de novas  maneiras de abordar, reinventar, e administrar criativamente, a questão  da educação e da maternidade nos dias de hoje. Visando atender os vários  locais onde se encontram as mães de hoje, o Instituto Mãe Pessoa  oferece versões In Company, nas empresas; In House, em clínicas, clubes,  condomínios, escolas e afins; e In Clinic, no consultório. Mais  informações pelo site: <a href="http://www.maepessoa.com.br/">http://www.maepessoa.com.br/</a> ; blog: <a href="http://maepessoa.blogspot.com/">http://maepessoa.blogspot.com/</a> por e-mail: <a href="mailto:contato@maepessoa.com.br">contato@maepessoa.com.br</a> ou telefone <span class="skype_pnh_print_container">11 – 3804 3167</span><span class="skype_pnh_container" dir="ltr"><span class="skype_pnh_mark"> begin_of_the_skype_highlighting</span> <span class="skype_pnh_highlighting_inactive_common" title="Ligue para este número em Brasil com o Skype: +551138043167" dir="ltr"><span class="skype_pnh_left_span"> </span><span class="skype_pnh_dropart_span" title="Ações Skype"><span class="skype_pnh_dropart_flag_span" style="background-position: -779px 1px ! important;"> </span> </span><span class="skype_pnh_textarea_span"><span class="skype_pnh_text_span">11 – 3804 3167</span></span><span class="skype_pnh_right_span"> </span></span> <span class="skype_pnh_mark">end_of_the_skype_highlighting</span></span>.</p>
<p style="text-align: justify;">* Artigo publicado na revista da <em>Escola de Pais do Brasil</em>, junho de 2009</p>
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		<title>Livros que a Mãe Pessoa recomenda</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Jan 2011 19:39:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[indicações]]></category>

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		<description><![CDATA[A Máscara da Maternidade -Susan Maushart Criar filhos talvez seja a tarefa mais difícil que as mulheres realizam na vida. O papel de mãe é diferente, em grau e estilo, de qualquer outro papel desempenhado por uma mulher. Deixando de lado a questão do &#8220;instinto&#8221;, a maternidade é algo em que as mulheres são impelidas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<ul>
<li style="text-align: justify;"><a href="http://www.livrariaresposta.com.br/v2/produto.php?id=31586" target="_blank">A Máscara da Maternidade -Susan Maushart</a><br />
Criar filhos talvez seja a tarefa mais difícil que as mulheres realizam  na vida. O papel de mãe é diferente, em grau e estilo, de qualquer outro  papel desempenhado por uma mulher. Deixando de lado a questão do  &#8220;instinto&#8221;, a maternidade é algo em que as mulheres são impelidas a pôr  todo o seu ser: corpo, alma, inteligência e espírito. Depois que a  mulher se torna mãe, sua personalidade e suas relações afetivas nunca  mais serão as mesmas &#8211; a presença da criança transforma completamente a  visão que a mulher tem de si mesma, afeta o casamento e a vida do casal.<br />
A autora, Susan Maushart, revela neste livro o quanto as mulheres  estão despreparadas para a maternidade. Não só para a trabalheira  insana, mas, sobretudo, para conflitos e transformações profundas que  vêm junto com ela. Poucas mães mencionam a crise psíquica que envolve o  nascimento do primeiro filho, o despertar de sentimentos enterrados há  muito tempo sobre a própria mãe, a mistura de poder e impotência, a  sensação de ser levada, por um lado, e de tocar novas potencialidades  físicas e psíquicas, por outro.<br />
A Máscara da Maternidade oferece uma  visão realista dos bastidores do que é ser mãe hoje em dia &#8211; da  gravidez e do parto ao malabarismo que é a vida das mães que trabalham  fora.<br />
Uma reflexão profunda que faz pensar que medos, frustrações e  confusões dos primeiros tempos da maternidade não são prova de fracasso  pessoal, mas do fracasso de expectativas extravagantes e de demandas  conflitantes.<br />
Autor(a): Susan Maushart<br />
Páginas: 336<br />
Editora: Melhoramentos</li>
<li><a href="http://www.livrariaresposta.com.br/v2/produto.php?id=217144" target="_blank">A Maternidade e o Encontro com a própria Sombra &#8211; Laura Gutman</a></li>
<li style="text-align: justify;"><a href="http://www.livrariaresposta.com.br/v2/produto.php?id=54644" target="_blank">Mamãe Vai Trabalhar e Volta Já &#8211; Inês De Castro</a><br />
Mamãe vai trabalhar e volta já &#8211; mostra que carreira e maternidade não  precisam ser inimigas. Ao contrário &#8211; quando andam de mãos dadas fazem  das mulheres vencedoras imbatíveis</li>
<li style="text-align: justify;"><a href="http://www.livrariaresposta.com.br/v2/produto.php?id=217445&amp;origem=0" target="_blank">O Conflito &#8211; A mulher e a mãe &#8211; Elisabeth Badinter</a><br />
Editora: Record</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Estes são livros que tentam  mostrar os desafios que essa escolha acarreta na vida da mulher hoje em  dia. Como todos os livros tem suas limitacões e generalizacões, voce vai  ter que ler e usar seu filtro pessoal e usar o que serve para voce!  Portanto são livros para começar a pensar nestas questões.</p>
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		<title>Nova Parceria: Builders Escola Bilingue</title>
		<link>http://maepessoa.com.br/site/2010/09/nova-parceria-builders-escola-bilingue/</link>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 13:11:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[workshops]]></category>
		<category><![CDATA[Builders Escola Bilingue]]></category>
		<category><![CDATA[parceria]]></category>
		<category><![CDATA[workshop]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi com imenso prazer que realizamos o workshop: “Relacionamento &#38; Comunicação entre Pais e Professores” na Escola Builders para os professores e staff da escola dia 30 de setembro de 2010.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a rel="attachment wp-att-61" href="http://maepessoa.siteprofissional.com/site/2010/09/nova-parceria-builders-escola-bilingue/builders/"><img class="alignnone size-full wp-image-61" title="builders" src="http://maepessoa.siteprofissional.com/site/wp-content/uploads/2011/05/builders.jpg" alt="" width="590" height="443" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Foi com imenso prazer que realizamos o workshop: “<strong>Relacionamento &amp; Comunicação entre Pais e Professores</strong>” na Escola Builders para os professores e staff da escola dia 30 de setembro de 2010.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Teste &#8211; Você acha que está preparada para ser mãe?</title>
		<link>http://maepessoa.com.br/site/2010/05/teste-voce-acha-que-esta-preparada-para-ser-mae/</link>
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		<pubDate>Mon, 24 May 2010 20:30:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[teste]]></category>

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		<description><![CDATA[Tente responder com sinceridade se concorda ou não com cada uma das reflexões abaixo, e se reconhece nelas, ou não, alguma importância para a experiência de ser mãe. Para cada alternativa, marque SIM, NÃO ou TALVEZ. Eu comigo: a) Sei me posicionar diante do que preciso e desejo, mas também sei ser flexível diante das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Tente  responder com sinceridade se concorda ou não com cada uma das reflexões  abaixo, e se reconhece nelas, ou não, alguma importância para a  experiência de ser mãe. Para cada alternativa, marque SIM, NÃO ou  TALVEZ.</h3>
<h4 style="text-align: justify;">Eu comigo:</h4>
<p style="text-align: justify;"><strong>a)</strong> Sei me posicionar diante do que preciso e desejo, mas também sei ser flexível diante das dificuldades e impossibilidades.<br />
<strong>b)</strong> Estou preparada emocionalmente para me colocar em segundo plano e mudar  minhas prioridades. Entendo que tudo poderá ser transformado a partir  da experiência de ser mãe.<br />
<strong>c)</strong> Meus projetos pessoais e profissionais talvez precisem ser repensados.  Quando o bebê chegar vou precisar tratar, de forma diferente, questões  como tempo, dinheiro, planejamentos e assim por diante.</p>
<h4 style="text-align: justify;">Eu e o bebê:</h4>
<p style="text-align: justify;"><strong>a)</strong> Estou preparada para ser um modelo de pessoa para meu filho.<br />
<strong>b)</strong> Já entendi que a relação com meu bebê me modificará de maneiras que  ainda nem consigo imaginar, mas sei que fará me rever e me reinventar  enquanto mulher e ser humano.<br />
<strong>c)</strong> Ser uma boa mãe não é ser perfeita nem o tempo todo presente. Quero  saber dosar o tempo (com qualidade) que vou destinar ao meu filho, aos  meus relacionamentos e a mim mesma.</p>
<h4 style="text-align: justify;">Eu com meu companheiro:</h4>
<p style="text-align: justify;"><strong>a)</strong> Nossa relação conjugal é firme o suficiente para sobreviver ao inevitável bombardeio causado pela chegada dos filhos.<br />
<strong>b)</strong> Estamos cientes de que as privações de sono e o cansaço físico minarão  nossa harmonia sexual e conjugal (pelo menos temporariamente).<br />
<strong>c)</strong> Sabemos que o casamento não necessariamente determina as mudanças em  relação à forma como vivemos nossas vidas, mas que a chegada dos filhos  causa a necessidade de nos responsabilizarmos de verdade.</p>
<h4 style="text-align: justify;">Eu com os outros:</h4>
<p style="text-align: justify;"><strong>a)</strong> Tem alguém, na minha rede de relacionamentos, que está disposto a me  aceitar, a não me julgar, a me ajudar, e é flexível entre o apoio que me  oferece e o que de mim recebe.<br />
<strong>b)</strong> Tem alguém (parceiro ou pessoa próxima) que está pronto para tentar me  compreender e me ajudar a aceitar as mudanças físicas, biológicas,  hormonais e psicológicas.<br />
<strong>c)</strong> Todas as relações humanas são ditadas por contratos sociais, ora  verbais ora não verbais. Em qualquer relacionamento mais intenso, há que  se reconhecer e priorizar o que precisamos, analisar se estamos pedindo  para a pessoa certa, e comunicar o que esperamos, com abertura para  ouvir o outro e ser flexível. Geralmente consigo me comunicar bem sobre o  que e como espero ser ajudada.</p>
<h4 style="text-align: justify;">Eu e o mundo:</h4>
<p style="text-align: justify;"><strong>a)</strong> Meu trabalho e minhas prioridades profissionais talvez sofram  modificações, pelo menos temporariamente, e aceito que o meu foco mude,  enquanto for necessário.<br />
<strong>b)</strong> Se preciso for, em prol da minha relação com meu filho, posso examinar  outras oportunidades e possibilidades de projetos – pessoais ou  profissionais.<br />
<strong>c)</strong> Estar no mundo tem tanto a ver com minha carreira, quanto com outras atividades que vão além do cuidado do bebê.</p>
<p><strong>Como calcular:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Marque <strong>2 </strong>pontos para cada <strong>SIM</strong>, <strong>0</strong> ponto para cada <strong>NÃO</strong> e <strong>1</strong>ponto para cada <strong>TALVEZ</strong>.  Depois, some os pontos e confira o resultado. Mas, lembre-se: este  teste é apenas um indicativo de que algumas coisas precisam ser levadas  em conta. Por isso, é importante refletir melhor sobre as questões  marcadas com o<strong>NÃO </strong>e o <strong>TALVEZ</strong>.</p>
<p><strong>Resultados: </strong></p>
<h4 style="text-align: justify;">Sim (22 a 30 pontos)</h4>
<p style="text-align: justify;">Tudo  indica que você está bastante consciente sobre o que a chegada de um  bebê pode acarretar na sua experiência pessoal, na sua relação conjugal e  com os outros, e está aberta para as acomodações que provavelmente  serão necessárias. Mesmo assim, saiba que tudo pode ainda vir a ser  diferente do que você imagina. O importante é lembrar que você não  precisa fazer tudo sozinha. Informe-se e lembre-se de compartilhar as  delícias e os desafios com pessoas que possam te apoiar.</p>
<h4 style="text-align: justify;">Talvez (10 a 21 pontos)</h4>
<p style="text-align: justify;">Parece  que você já tem alguma ideia das possíveis dificuldades desse processo  de virar mãe. Mas há ainda algumas questões importantes que talvez não  tenha considerado. Olhe com mais atenção para as reflexões nas quais  você marcou “não”, e tente visualizar melhor o que está faltando para  que haja espaço e estrutura para a chegada de um bebê.</p>
<h4 style="text-align: justify;">Não (0 a 9 pontos)</h4>
<p style="text-align: justify;">Calma,  vamos lembrar que nada disso quer dizer que você não está preparada, ou  que não nasceu para isso. É bem possível que você nunca tenha levado em  conta aspectos mais reais e, talvez, dolorosos da experiência de ser  mãe. Mas ainda dá tempo de se preparar com mais objetividade. Converse  com outras mães, leia livros, revistas e, se preciso, procure  profissionais especializados, como psicólogos, doulas, pediatras ou  obstetras.</p>
<h5 style="text-align: justify;">*  TESTE ELABORADO PELAS PSICÓLOGAS SHEILA SKITNEVSKY-FINGER E TANIA  NOVINSKY HABERKORN, SÓCIAS-FUNDADORAS DO INSTITUTO MÃE PESSOA, EM SÃO  PAULO.<br />
<a href="http://www.revistabianchini.com.br/sobre/" target="_blank">http://www.revistabianchini.com.br</a></h5>
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		<title>Multiplicidade de papéis é sinônimo de mulher moderna</title>
		<link>http://maepessoa.com.br/site/2010/03/multiplicidade-de-papeis-e-sinonimo-de-mulher-moderna/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Mar 2010 20:46:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[entrevista]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrevista Folha Metropolitana &#8211; 8 de março 2010 Multiplicidade de papéis é sinônimo de mulher moderna por Simone Cunha O Dia Internacional da Mulher completa 100 anos. E, de 1910 para cá, quando foi instituída a data oficialmente, o público feminino foi conquistando o seu espaço. Hoje, as mulheres desempenham uma multiplicidade de papéis: esposa, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Entrevista Folha Metropolitana &#8211; 8 de março 2010</h3>
<p style="text-align: justify;"><strong>Multiplicidade de papéis é sinônimo de mulher moderna</strong></p>
<p style="text-align: justify;">por Simone Cunha</p>
<p style="text-align: justify;">O  Dia Internacional da Mulher completa 100 anos. E, de 1910 para cá,  quando foi instituída a data oficialmente, o público feminino foi  conquistando o seu espaço. Hoje, as mulheres desempenham uma  multiplicidade de papéis: esposa, mãe, dona de casa, profissional e  carrega a cobrança de ser perfeita em tudo. “Enquanto as expectativas da  sociedade em relação às mulheres mudaram, o suporte que ela recebe – do  marido, da família e da sociedade – seguramente não acompanhou esta  evolução”, afirmou a psicóloga Sheila Skitnevsky Finger, sócio-fundadora  do Instituto Mãe Pessoa (www.maepessoa.com.br).</p>
<p style="text-align: justify;">Para  a especialista, criou-se para a mulher de hoje uma expectativa irreal,  de somar casa, família e trabalho, sendo os dois primeiros nos moldes  antigos e o trabalho como se ela não tivesse mais nada para cuidar. “Ela  deve trabalhar como um homem, mas viver como uma mulher antiga”,  acrescentou Sheila. Porém, não se trata de desvalorizar a emancipação  conquistada ao longo dos anos. “Trata-se de conscientizar sobre o mito  de ideal aplicado à mulher e propor algo mais real e satisfatório”,  considerou Tânia Novinsky Haberkorn, psicóloga e sócia do Instituto Mãe  Pessoa.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos poucos, o público feminino vem  equilibrando com mais eficiência todos esses papéis. E isso tem um custo  emocional, pessoal e social. “Entretanto, este aprendizado é pessoal e  intransferível. Manuais são de pouca eficácia. Cada mulher tem que  descobrir como dar conta de tantas demandas levando em conta a realidade  de sua família, expectativa em relação à maternidade e ambições sociais  e profissionais”, explicou Tânia. Vale destacar que não é apenas a  figura feminina que deve adaptar-se às mudanças, mas a sociedade como um  todo. “O conceito é de que todos farão concessões e estabelecer  condições para que o sistema encontre um equilíbrio”, completou Sheila.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A carreira em primeiro lugar </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">“Ser  mãe não está na minha lista de prioridades”, confessou a médica Solange  Mayumi Shiguemoto, 38 anos, casada há oito. Ela trabalha quase 12 horas  por dia e se engravidasse o trabalho ficaria comprometido. “Não quero  ter um filho para deixá-lo em escola, o dia todo. Por isso, vou adiando a  maternidade. A mulher moderna não precisa ser mãe para se realizar, a  profissão cumpre bem essa função”, afirmou.</p>
<p style="text-align: justify;">As  psicólogas atentam que escolher investir 100% na carreira e abrir mão  da maternidade é uma escolha. “Todas as escolhas têm conseqüências  futuras, mas a decisão dessa mulher tem de ser respeitada. Afinal,  existem outras maneiras de exercer a maternidade que não necessariamente  passa pelo ato de ser mãe”, disse Tânia. E, se em algum momento, ela  quiser rever sua escolha, terá que criar espaço em sua vida para tal  experiência. “Pode ir da adoção formal até participação mais ativa na  vida de um sobrinho”, explicou Sheila.</p>
<p style="text-align: justify;">E  a médica Solange está ciente disso. “Não digo que não terei um filho,  mas não planejo. Sei que mais tarde, posso ter vontade, mas é preciso  fazer escolhas e assumi-las”, afirmou. Para ela, que trabalha muito para  garantir um futuro mais tranqüilo, pode existir uma vantagem em não ser  mãe. “Poderei curtir e viajar com o meu marido sem preocupações com  escola ou alimentação. Um filho sempre limita”, considerou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dedicação total aos filhos </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">“Minha  profissão ficou pequena demais diante dos meus filhos”, analisou  Vanessa Caubianco, 32 anos, que está realizada cuidando dos “lindos”  gêmeos, Patrick e Manuela, com nove meses. Formada em jornalismo e  publicidade, Vanessa afirmou que sempre foi <em>workaholic</em> (viciada em trabalho), e ao engravidar imaginou que não agüentaria ficar  de licença-maternidade por dois meses. “Fiquei quatro meses em casa,  emendei com um mês de férias e foi muito difícil voltar à rotina  profissional. Agüentei quatro meses e desliguei-me da empresa”, afirmou a  mamãe.</p>
<p style="text-align: justify;">A psicóloga Tânia Novinsky Haberkorn  lembrou que o importante é estar consciente de suas escolhas. “Apesar  das limitações que todas enfrentam, ciente da sua decisão ela se sentirá  mais satisfeita consigo própria e com a maternidade”. Para Vanessa,  abrir mão da carreira valeu a pena, pois ela passou a ter mais  flexibilidade para ficar com os seus bebês. “Só não podia deixá-los  tomar conta da minha vida. Sou uma boa mãe, mas não me privo das coisas  que eu gosto. Cuido de mim, dedico-me ao casamento, criei um blog  (mamydegemeos.blogspot.com) e estou escrevendo um livro sobre a  experiência de ser mãe de gêmeos”, contou.</p>
<p style="text-align: justify;">É  fundamental que a mulher/mãe não se sinta sem opções. “Ela deve manter  interesses próprios e definir a qualidade de tempo que se dedicará aos  filhos. Não adianta passar 24h com os pequenos e estar sempre buscando  outras coisas ou se sentindo frustrada por não estar em outro lugar”,  concluiu Sheila Skitnevsky Finger.</p>
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